domingo, 21 de fevereiro de 2010

Brasil na Copa de 2006.

Deixemos de lado todas as críticas que já foram feitas a preparação da Seleção, festas, “oba-oba”, etc. Vamos analisar um pouco a parte tática da equipe, durante os jogos.

Na formação defensiva, podemos dizer que não havia definição. É isso mesmo. Aparentemente, um posicionamento de 4-5-1, em zona passiva. Na prática, o que ocorria era a marcação individual por setor, que se confundia com uma marcação individual simples. Em nenhum momento esboçou uma marcação adiantada ou um pressing. Os jogadores que não acompanhavam aqueles que estavam marcando, acabavam gerando espaços para o adversário. A marcação de bolas paradas não passou por treinamentos, o que ficava claro na bagunça na área durante essas jogadas, e na tentativa de organização do goleiro Dida. A saída de bola era feita tirando-a da zona de pressão.
Quanto ao ataque, utilizavam de ataque posicional, preferencialmente, da forma que Parreira sempre treinou suas equipes, com trocas de passes laterais excessivos, até encontrar espaços no setor defensivo adversário. Funcionou com os primeiros adversários, de menor capacidade defensiva, aproveitando da qualidade técnica dos jogadores brasileiros de meio e ataque. Teve pouca amplitude, pois Adriano e Ronaldo tinham posição centralizada, enquanto Zé Roberto chegava pouco ao ataque pelo lado esquerdo. Ronaldinho, incomodado com o posicionamento de Zé Roberto e Kaká, preferiram a região central. Quando entrou, Robinho procurou aproximação dos jogadores pelo meio, usando pouco as laterais.
Os princípios operacionais de defesa utilizados eram o de impedir a progressão, proteger o alvo e impedir a finalização. Dificilmente, tentavam recuperar a posse de bola para construir contra-ataques. Com o gráfico abaixo, podemos entender como aconteceram as finalizações em 4 jogos do Brasil, contra Croácia, Japão, Gana e França:


Nos três contra-ataques, por duas vezes a bola foi recuperada em seu setor defensivo, próximo a área, enquanto apenas um foi realizado a partir de recuperação de bola na intermediária de ataque. Muito pouco em quatro jogos.

Contra o Japão, o melhor jogo. 18 finalizações, sendo duas provenientes de contra-ataque, quando jogaram os laterais Cicinho e Gilberto, além de Robinho no lugar de Adriano.
Contra Gana, a equipe enfrentou uma equipe que marcava em linha, aproveitando-se para jogar um futebol mais vertical, pois o adversário não dava espaços para troca de passes laterais. Gana finalizou muito mais do que as 9 finalizações do Brasil. No final, 3 X o, apesar das chances perdidas pelos africanos.

Contra a França, disparado o pior jogo do Brasil, que finalizou apenas 6 vezes, sendo 4 nos últimos 10 minutos, quando a França recuou para defender o placar de 1 X 0. Três dessas finalizações foram provenientes de bola parada. Ronaldo tentou, com três finalizações. Robinho entrou e melhorou a equipe. Não adiantou. E a culpa foi de quem. Para mim da marcação individual, que frente a grandes jogadores como Zidane e Henry, foi desmantelada, com seus dribles e inteligência. E a falta de treinamentos para a defesa de bolas paradas apareceu no lance decisivo do jogo, na famosa coçada de joelho do Roberto Carlos. Crucificado, Roberto Carlos não foi o único que ficou parado na jogada. Além dele, mais quatro não se mexeram, entre eles Cafu e Ronaldo, deixando 4 franceses contra 3 zagueiros. De qualquer forma, se não fosse naquela jogada, a França continuaria dominando o jogo e mantendo as maiores chances de vitória.

Para encerrar, se alguém acredita que Roberto Carlos pode ser convocado para a Copa, segue a frase de Jorginho, atual auxiliar de Dunga, comentando a jogada do gol francês pela SporTV: “Não dá pra entender. É inadmissível o que aconteceu com Roberto Carlos, num momento tão importante...” Será que ele esqueceu?
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