sábado, 6 de março de 2010

Hora de falar do Palmeiras

O Palmeiras precisa agir com urgência. Com a equipe atual, o time está destinado a participar da Série B em 2011. Acreditar que com apenas alguns bons jogadores pode se formar um grande time é inocência. Vejamos a equipe rebaixada de 2002:

Goleiros: Marcos machucado e Sérgio atuando na maioria das partidas.
Laterais: Arce (craque em fim de carreira), Rubens Cardoso (campeão mundial com o Internacional), Leo Moura (“melhor lateral do Brasil” em 2008).
Zagueiros: Alexandre (aquele da voadora na Libertadores 2001), César (o chorão da Portuguesa, bom jogador), Leonardo (agora no Vila Nova).
Volantes: Galeano (inesquecível, aplicado), Paulo Assunção (hoje faz sucesso no Atlético de Madrid), Fabiano Eller (virou zagueiro, mas também atuava na lateral esquerda), Claudecir (fraquíssimo) e Flávio (esquecido, pelo futebol do interior paulista).
Meias: Zinho (craque em fim de carreira), Juninho (esquecido no futebol asiático) e Lopes que pouco atuava.
Atacantes: Christian (bom jogador), Muñoz (ídolo da torcida pela dedicação, mas pouco futebol), Itamar (desaparecido) e Nenê (craque na França, cogitado para disputar a Copa pela Espanha).

Alternavam bons jogadores, com craques em fim de carreira, como Arce, artilheiro da temporada com 15 gols, e jogadores fracos como Eller, Alexandre, Juninho, Claudecir, Itamar e Paulo Assunção, que até então não havia mostrado muito. Mas o mais importante, um time que não “deu liga” e que trocou de técnico por várias vezes: Luxa, PC Gusmão, Murtosa, Levir Culpi. E o resultado foi o rebaixamento.
E o time de hoje. Diego Souza, Cleiton Xavier e Pierre são ótimos jogadores, acima da média, bem como Ewerton que está chegando. Marcos e Lincoln que nem estreou, são craques em fim de carreira, enquanto Danilo, Léo, Maurício Ramos, Figueroa, Edinho e Deyvid Saconni são bons jogadores que ainda não deram resultados. Alguns jogadores para, talvez, fazerem parte do banco de reserva como Armero, Marcio Araujo, Souza, Robert e Lenny. E os medíocres, que não entendemos porque ainda estão num time do tamanho do Palmeiras: Bruno e Deola (não vingou em nenhuma das pequenas equipes do interior paulista que jogou), Wendell, Eduardo, William, Daniel Lovinho (eu jogo melhor). E como falamos do time de 2002, o mais importante, não conseguiram formar uma equipe competitiva. O que vemos é um time atrapalhado, desesperado, pela falta de bons resultados recentes e o fraco histórico do século (1 Paulistão em 10 anos é muito pouco, além do rebaixamento em 2002). E o resultado que temos há alguns anos são as vergonhosas derrotas para times pequenos dentro de casa.
E se alguém acredita em coincidência, recordemos: Em 2001, o Palmeiras fazia grande campanha no Campeonato Brasileiro, com o técnico Celso Roth. O time era líder com 5 pontos de vantagem para o 2º colocado, e na época, 8 classificavam para a segunda fase. Todos davam o Palmeiras como classificado. Chega o jogo com a Ponte Preta, no Palestra Itália, e a surpresa: 2 X 0 Ponte, com dois gols de Washington, hoje no São Paulo. Depois disso, só vexame, e a eliminação ainda na primeira fase, já com o técnico Márcio Araujo. No ano seguinte, o rebaixamento.

Em 2009, o Palmeiras era considerado o virtual campeão. De repente, o Palmeiras cai de rendimento, já com o Tri-Campeão Muricy Ramalho. E no fim, nem uma vaga para a Taça Libertadores foi conquistada. Será que 2010 têm rebaixamento de novo?
Deixando as especulações de lado, é necessário um planejamento para evitá-lo. O que proponho:
Dispensa da atual comissão técnica;
Contratação de um desses técnicos que trariam suas comissões técnicas: Felipão, (sonho impossível), Caio Júnior (o último que deixou boa impressão), Jorginho (seria arriscado, como foi Antonio Carlos, mas mostrou capacidade nos poucos jogos que comandou a equipe em 2009);
A contratação de um especialista em análises de jogos de futebol, pois a maior parte dos técnicos não é. Esse profissional trabalharia independente do técnico, e mostraria à diretoria o rendimento da própria equipe;
A contratação de profissionais com currículo estudantil para as categorias de base. Chega de contratar ex-jogadores que não estudaram nada para comandar uma equipe. Para ensinar, é necessário estudo, didática, conhecimento biológico quanto à fisiologia e ao desenvolvimento psicomotor do ser humano. Esses profissionais estariam em constante aprimoramento, realizando cursos e estágios na Europa, berço da tática no futebol, e seriam os futuros treinadores da equipe profissional;
Desistência do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, com a atuação de uma equipe B nos jogos, realizando uma pré-temporada com a equipe principal, que poderia participar de alguns jogos, caso haja risco de rebaixamento;
Grande foco na contratação de jogadores. Trabalho ininterrupto de observação, realizado por profissionais contratados exclusivamente pelo Palmeiras, com clausula de rescisão em caso de envolvimento com empresários ou qualquer interesse alheio ao Palmeiras. Como ninguém enxerga o atacante Willian do Botafogo?
Dispensa empréstimo ou venda de jogadores sem a mínima capacidade de atuar na equipe ou de agüentar pressão;
Tolerância zero com a indisciplina, inclusive da comissão técnica.
Essa é a minha proposta. E a sua?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Brasil na Copa de 2006.

Deixemos de lado todas as críticas que já foram feitas a preparação da Seleção, festas, “oba-oba”, etc. Vamos analisar um pouco a parte tática da equipe, durante os jogos.

Na formação defensiva, podemos dizer que não havia definição. É isso mesmo. Aparentemente, um posicionamento de 4-5-1, em zona passiva. Na prática, o que ocorria era a marcação individual por setor, que se confundia com uma marcação individual simples. Em nenhum momento esboçou uma marcação adiantada ou um pressing. Os jogadores que não acompanhavam aqueles que estavam marcando, acabavam gerando espaços para o adversário. A marcação de bolas paradas não passou por treinamentos, o que ficava claro na bagunça na área durante essas jogadas, e na tentativa de organização do goleiro Dida. A saída de bola era feita tirando-a da zona de pressão.
Quanto ao ataque, utilizavam de ataque posicional, preferencialmente, da forma que Parreira sempre treinou suas equipes, com trocas de passes laterais excessivos, até encontrar espaços no setor defensivo adversário. Funcionou com os primeiros adversários, de menor capacidade defensiva, aproveitando da qualidade técnica dos jogadores brasileiros de meio e ataque. Teve pouca amplitude, pois Adriano e Ronaldo tinham posição centralizada, enquanto Zé Roberto chegava pouco ao ataque pelo lado esquerdo. Ronaldinho, incomodado com o posicionamento de Zé Roberto e Kaká, preferiram a região central. Quando entrou, Robinho procurou aproximação dos jogadores pelo meio, usando pouco as laterais.
Os princípios operacionais de defesa utilizados eram o de impedir a progressão, proteger o alvo e impedir a finalização. Dificilmente, tentavam recuperar a posse de bola para construir contra-ataques. Com o gráfico abaixo, podemos entender como aconteceram as finalizações em 4 jogos do Brasil, contra Croácia, Japão, Gana e França:


Nos três contra-ataques, por duas vezes a bola foi recuperada em seu setor defensivo, próximo a área, enquanto apenas um foi realizado a partir de recuperação de bola na intermediária de ataque. Muito pouco em quatro jogos.

Contra o Japão, o melhor jogo. 18 finalizações, sendo duas provenientes de contra-ataque, quando jogaram os laterais Cicinho e Gilberto, além de Robinho no lugar de Adriano.
Contra Gana, a equipe enfrentou uma equipe que marcava em linha, aproveitando-se para jogar um futebol mais vertical, pois o adversário não dava espaços para troca de passes laterais. Gana finalizou muito mais do que as 9 finalizações do Brasil. No final, 3 X o, apesar das chances perdidas pelos africanos.

Contra a França, disparado o pior jogo do Brasil, que finalizou apenas 6 vezes, sendo 4 nos últimos 10 minutos, quando a França recuou para defender o placar de 1 X 0. Três dessas finalizações foram provenientes de bola parada. Ronaldo tentou, com três finalizações. Robinho entrou e melhorou a equipe. Não adiantou. E a culpa foi de quem. Para mim da marcação individual, que frente a grandes jogadores como Zidane e Henry, foi desmantelada, com seus dribles e inteligência. E a falta de treinamentos para a defesa de bolas paradas apareceu no lance decisivo do jogo, na famosa coçada de joelho do Roberto Carlos. Crucificado, Roberto Carlos não foi o único que ficou parado na jogada. Além dele, mais quatro não se mexeram, entre eles Cafu e Ronaldo, deixando 4 franceses contra 3 zagueiros. De qualquer forma, se não fosse naquela jogada, a França continuaria dominando o jogo e mantendo as maiores chances de vitória.

Para encerrar, se alguém acredita que Roberto Carlos pode ser convocado para a Copa, segue a frase de Jorginho, atual auxiliar de Dunga, comentando a jogada do gol francês pela SporTV: “Não dá pra entender. É inadmissível o que aconteceu com Roberto Carlos, num momento tão importante...” Será que ele esqueceu?
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sábado, 2 de janeiro de 2010

Copa 2006

2010 está começando, e sendo ano de Copa, vou postar algumas análises de jogos da última Copa, em 2006.

Nesse pimeiro momento, postarei uma análise feita em 2009, por mim e meu companheiro de UNICAMP, Moisés, na discplina "Aprofundamento em táticas de futebol", da partida de oitavas de final entre Itália e Austrália.


A Austrália utilizou com freqüência do ataque posicional. A foto mostra o jogador Sterjovski, um dos responsáveis pelo aumento da amplitude pelo lado direito do ataque. A equipe sempre ataca com boa amplitude, ocupando bem os 2 lados do campo. Pelo lado esquerdo, o responsável pela amplitude foi Bresciano.


Na Austrália, Viduka é o responsável pela profundidade da equipe que tenta levar a linha de 4 próxima a meta defensiva adversária.



Defensivamente a Austrália utiliza a marcação individual, que inicia no campo de defesa adversário, fazendo pressão na saída de bola italiana, quando os zagueiros centrais estão com a bola.


Ao recuperar a bola, a Austrália tentou sair jogando com calma, tirando a bola da zona de pressão e trocando passes curtos para chegar ao ataque. Passado os primeiros dez minutos, como essa forma de transição de ataque não funcionou, eles passaram a jogar com lançamentos em direção ao centroavante Viduka, que desviava as bolas áreas para seus companheiros, ou prendia a bola como pivô nas jogadas rasteiras.
A Austrália se organizava no ataque numa plataforma 3-3-3-1 e quando se defendia num 3-6-1.





Em alguns momentos a Itália montava um losango na marcação do homem com a bola, que um atacante italiano vinha por trás do jogador australiano, induzindo-o a entrar no centro de losango. Assim, os jogadores italianos marcavam as linhas de passe do jogador com a posse de bola, que tentava um passe mais longo e forçado, normalmente resultando em recuperação da bola pela seleção italiana.

A foto abaixo mostra o balanço defensivo feito pela seleção italiana bem compactada e com rápida basculação. A marcação, normalmente, era feita atrás de linha do meio campo, sendo que até chegar ao meio campo a Austrália tinha liberdade para trabalhar a bola.



Austrália não possui uma boa compactação defensiva, uma vez que utiliza a marcação individual, na razão de 1 defensor para cada atacante. Na jogada, apesar de não aparecer, tem um jogador italiano na ponta direita sendo marcado pelo jogador australiano do qual aparece a sombra.





Na Itália 7 jogadores participam da defesa em zona. Notamos que existem uma linha de 4 atrás e uma outra de 3 um pouco mais a frente muito bem compactada.



Na Itália, Gilardino e Toni se revezam na tarefa de dar profundidade a equipe. Quanto a amplitude a seleção italiana não é eficiente já que Perrotta pelo lado direito, e Grosso pelo lado esquerdo, revezam nas descidas ao ataque, Del Piero fecha pelo meio e os 2 atacantes jogam muito centralizados.

Em breve, mais análises da Copa 2006.

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